A ambição domina o discurso de Ivo Quendera, com o Selecionador Nacional de Paracanoagem a demonstrar enorme confiança relativamente às prestações que Norberto Mourão, Floriano Jesus e Hugo Costa poderão alcançar na Hungria, em Szeged, no Campeonato do Mundo de Velocidade e Paracanoagem 2019, que se realiza entre a próxima quarta-feira e domingo.
“É a primeira vez que Portugal tem, fora do nosso país, três atletas numa prova internacional de paracanoagem”, realça Ivo Quendera, assinalando que, “no ano passado, tivemos mais, mas foi em casa, em Montemor-o-Velho”. De seguida, o Selecionador lembra que “o Floriano e o Norberto integram o Projeto Paralímpico e perspetivam-se bons resultados”. “O Hugo é um jovem, de 19 anos, que vai ter a oportunidade de manter o seu grau de exigência naquilo que é o padrão de esperanças paralímpicas”, refere.
Atleta da Associação Recreativa e Cultural de Óis da Ribeira, Hugo Costa vai competir em KL2 e vai enfrentar, segundo Ivo Quendera, “uma prova de experimentação”, que vai fazer com que “tenha a noção de qual é o nível exterior”. “Estamos a contar que atinja a final B. Depois, o melhor resultado já será uma vitória. A final A será difícil, mas não impossível. Vamos ver como se comporta”, adianta o Selecionador Nacional, antes de prosseguir: “Se chegar à final A, a história já será outra. Será atingir um nível ótimo para a idade que o Hugo tem e para os anos de canoagem que leva”.
“Lutar por uma das seis vagas” é uma das metas traçadas por Ivo Quendera para Floriano Jesus, atleta do Clube Infante de Montemor, que, no ano passado, em Montemor-o-Velho, alcançou o 7.º lugar mundial na prova de KL1. “Sabemos que é complicado, mas o Floriano está bem preparado e fez uma ótima época de evolução”, divulga o Selecionador Nacional, antecipando que “a ida à final, em princípio, está garantida”.
O foco está, por isso, apontado a “uma das seis vagas” para os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. “Caso não consiga já, vai ter de continuar a sua luta e lutar por uma das quatro que irão ainda sobrar para o próximo ano. No entanto, neste momento, estamos focados nas seis primeiras vagas para ficar já com o processo resolvido”, concretiza Ivo Quendera.
Quanto a Norberto Mourão, atleta do Sporting Clube de Portugal, “o objetivo mínimo é ir buscar uma das seis vagas” na prova de VL2. “Sabemos que a final A já é garantida. Tendo em conta a medalha de bronze que tirou no Europeu e o 4.º lugar na Taça do Mundo, o Norberto enquadra-se, neste momento, nos cinco melhores atletas do Mundo, que competem na classe dele”, transmite.
Ainda segundo o Selecionador Nacional, “qualquer um destes cinco atletas vai à medalha e desce da medalha”, uma vez que, garante, “são milésimos de segundo que os separam e a diferença é ao milímetro”. “A luta do Norberto será atingir uma medalha”, desafia, antes de concordar que “tudo vai depender das condições no dia da prova”. “Neste momento, é esta a nossa realidade na paracanoagem portuguesa. O limite mínimo é estarmos nas finais. Depois, cada um vai lutar pelas vagas. No caso do Norberto, a perspetiva é que possa alcançar uma medalha”, resume.
Acérrimo defensor da inclusão competitiva, Ivo Quendera aproveita a oportunidade para “dar os parabéns” à Federação Internacional de Canoagem. “O Mundial, este ano, está muito bem enquadrado. As provas de paracanoagem não estão todas juntas, mas são enquadradas com os regulares. A festa da canoagem será, desta forma, muito mais abrangente e o ambiente mais inclusivo”, concretiza.













