Tranquilidade é a palavra que melhor define o estado de espírito de Vítor Félix, nos dias que antecedem a entrada em competição da Seleção Nacional no Campeonato do Mundo de Velocidade e Paracanoagem, que, entre quarta-feira e domingo, tem Szeged, na Hungria, como palco. “O objetivo principal é o apuramento olímpico”, divulga.
“Não são pedidas medalhas aos atletas, pois este é um Campeonato do Mundo especial por ser de apuramento olímpico”, sublinha o presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, lembrando “a importância de apurar nesta primeira fase para não estarmos sujeitos à segunda fase, para o ano, em que as vagas são mais limitadas”.
As dificuldades que vão ser colocadas aos portugueses vão ser muitas, mas Vítor Félix assegura que o mesmo se aplica aos restantes candidatos olímpicos. “Sabemos que vai ser complicado para nós e para os outros. Teremos, provavelmente, dos apuramentos mais difíceis das modalidades olímpicas, uma vez que é num único evento, no Campeonato do Mundo, enquanto existem modalidades em que é por ranking”, descreve.
O trabalho desenvolvido nos últimos meses deixa “a Direção, os treinadores e os atletas perfeitamente tranquilos”. “Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance e trabalhámos bem, mas, nesta fase, o fator sorte também é importante”, resumiu o presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, lembrando que “os nossos atletas já deram provas que estão bem preparados, pois fizeram uma época excelente nas Taças do Mundo e nos Jogos Europeus”.
“Demos bons indicadores que estamos dentro do apuramento. Estamos confiantes que vamos alcançar bons resultados, que passam por apurar atletas”, perspetiva o líder federativo, antes de recordar que, em 2015, no anterior Campeonato do Mundo de apuramento para os Jogos Olímpicos, Portugal apurou seis atletas. “O objetivo passa por igualar ou superar este número”, afirma.
Sabedor da exigência nacional em relação aos resultados da canoagem portuguesa, Vítor Félix sabe que “a nossa fasquia está bastante elevada”, uma vez que, prossegue, “hoje, quando um atleta da canoagem fica no 4.º lugar num Campeonato do Mundo ou nos Jogos Olímpicos acaba por ser um mau resultado”.
Ainda assim, o presidente da Federação Portuguesa de Canoagem defende que “os nossos atletas estão habituados a lidar com essa pressão e sabem que custou muito chegar onde estamos, no topo da nossa modalidade, assumindo-se a canoagem como uma referência no desporto português”. “Também sabemos que podemos apurar 15 ou 12 atletas ou até mesmo nenhum. O desporto é assim mesmo”, avisa.
Ao longo da conversa com o site da Federação Portuguesa de Canoagem, Vítor Félix deixou uma palavra de incentivo à paracanoagem. “Temos, este ano, a expetativa de poder apurar um ou dois atletas na paracanoagem. Seria uma estreia absoluta nos Jogos Paralímpicos para a nossa modalidade”, assinala, antes de concluir com uma mensagem para a comitiva lusa: “Vão ser cinco dias de muita emoção, em que todos vão dar o máximo por Portugal”.













