“Sustentabilidade das organizações desportivas” foi o tema do primeiro painel do Congresso Canoagem 2030. Um debate que permitiu ficar a conhecer outros modelos e outras realidades, tanto nacionais, como internacionais, no caso concreto da Federação Espanhola de Canoagem, da Federação de Triatlo de Portugal e da Federação Portuguesa de Natação.

Juan José Mangas apresentou o caminho percorrido pela canoagem espanhola na última década, dando conta dos vários desafios que teve de enfrentar quando assumiu a presidência da Federação Espanhola de Canoagem.

Numa pormenorizada apresentação, Juan José Mangas dividiu-a em objetivos que procurou concretizar quando foi empossado presidente. O primeiro passou por “mudar o modelo da canoagem espanhola”, existindo “um antes e um depois de 2009”.

“Mudar a grave crise situação económica” foi o segundo objetivo, a que se seguiu “a mudança da situação económica sem afetar a filiação”. O quarto propósito da Direção liderada por Juan José Mangas passou por “mudar a situação económica sem afetar a participação”.

“O crescimento da filiação e da participação em um contexto de crise foi conseguido”, expressou Juan José Mangas, acrescentando que, entre outros ganhos, as mudanças corresponderam “à obtenção dos melhores resultados desportivos internacionais da história da canoagem espanhola”.

Com 30 anos de atividade, a Federação de Triatlo de Portugal conta com 3.350 atletas, 120 clubes e 140 treinadores. “O alto rendimento foi uma forte aposta para dar visibilidade à modalidade”, assumiu Vasco Rodrigues, com o presidente da Direção a garantir que “trouxe bastante reconhecimento”.

“O calendário tem 76 provas nacionais por ano. A grande aposta, agora, vai ser em provas regionais. É a inversão que estamos a tentar. Procuramos estimular as associações regionais. Queremos cada vez mais provas e mais atletas a participar”, expressou Vasco Rodrigues, confirmando que “a grande necessidade que temos passa por chamar os clubes a organizar”.

Numa intervenção acutilante e repleta de sentido crítico, António José Silva defendeu que “o modelo de financiamento” do desporto em Portugal “está ultrapassado”. “O Orçamento de Estado, diretamente, mete zero para o desporto”, revelou, antes de atirar: “Há dinheiro para o desporto em Portugal, está é muito mal distribuído”.

Depois de ter apresentado o caminho de sucesso percorrido pela natação nacional, o presidente da Direção da Federação Portuguesa de Natação apontou a necessidade das federações “ganharem escala na organização de competições”, apelando, por isso mesmo, à “união” das modalidades consideradas “mais pequenas”.